É preciso LUTAR pelos DIREITOS e pela DIGNIDADE no SECTOR FINANCEIRO

O sector bancário em Portugal está no essencial ao serviço dos interesses de grandes grupos económicos. Os bancos privados foram entregues ao capital estrangeiro. Instituições centenárias e de grande tradição nacional são hoje meras representações precárias do capital financeiro internacional. A economia nacional não é apoiada. Os trabalhadores do sector, espoliados de direitos básicos, são mergulhados na precariedade. Um futuro de incertezas e de perigos adensa-se.

Os Bancos Não Estão a Servir o País

O investimento de capital, utilizado para justificar a entrega dos bancos ao capital estrangeiro, mostrou ser uma falácia. O recurso a empréstimos do BCE e de outras instituições, que contribuíram para aumentar a dívida do país, e os dividendos que os accionistas levaram de Portugal foram largamente superiores ao capital estrangeiro investido nos bancos. Segundo dados relativos às mais importantes empresas nacionais que passaram para as mãos do capital estrangeiro, as transferências realizadas para fora de Portugal em lucros, dividendos e juros, no período entre 1996 e 2014, ou seja, enquanto os trabalhadores e o povo “aguentavam” a crise e a austeridade, foi de 198.000 milhões de euros, bastante mais do que o saldo das transferências da União Europeia para Portugal, que, no mesmo período, atingiram o valor de 51.273 milhões de euros. E a sugação continua…

Adoptando a busca do lucro fácil e rápido através da especulação financeira, os bancos baixaram os apoios à economia nas suas actividades tradicionais de crédito e depósitos. Os créditos desviados para negócios obscuros fizeram disparar as imparidades e fazer perigar o próprio sistema.

Calcula-se que o não pagamento de juros aos depositantes tenha atingido verbas superiores a três milhões de euros por dia. Mas os depósitos continuam a ser utilizados pelos banqueiros para satisfazer a sua gula. Gula essa que ainda incha mais com os cerca de sete milhões de euros por dia que, segundo dados publicados, foram já atingidos com a cobrança de comissões.

Cresce a Precariedade e a Incerteza para os Trabalhadores Bancários

A financeirização da economia foi acompanhada pela diminuição dos direitos dos trabalhadores nos bancos. Além do recurso a trabalho mais barato e com horários maiores através do outsourcing, os banqueiros bloquearam os salários durante sete anos e, com a cumplicidade vil da UGT, destruíram direitos essenciais e históricos no contrato colectivo do sector (promoções e carreiras, prémios de antiguidade, trabalho suplementar, etc etc.). Com a alteração do ACT de 2016, cada um dos principais bancos ganhou várias dezenas de milhões de euros por ano (o BPI, por exemplo, anunciou logo nos resultados dos primeiros nove meses um ganho de 43 milhões…)

Com o gordo negócio das reformas antecipadas e as ameaças das rescisões de contrato “amigáveis”, os bancos destruíram cerca de 8000 postos de trabalho só durante os anos da troika. Mas já depois disso foram destruídos mais de três mil empregos nos principais bancos: CGD, Novo Banco, BCP, BPI e Santander Totta – sendo hoje Portugal o país da Zona Euro com a menor taxa de Bancários por Habitante, e com menos 1554 Balcões. E a sanha exterminadora continua…

Ameaças de destruição de empregos e incertezas sobre o futuro pairam sobre os trabalhadores. A CGD, com capital do estado, prossegue uma gestão igual à dos grandes grupos capitalistas estrangeiros com objectivos de encerramento de balcões, de destruição de milhares de postos de trabalho e de eliminação dos direitos dos trabalhadores. O Novo Banco, entregue com dinheiros dos portugueses a um fundo abutre que não se interessa pela actividade bancária, agrava os objectivos vampirescos contra os trabalhadores. O Santander, que comprou o BANIF em saldo com ajuda de dinheiros dos portugueses e que em Espanha comprou o Banco Popular por um euro, prossegue a sua recolha de lucros em Portugal com semelhante aumento de precariedade. O BPI, com o patrão CaixaBank a abdicar da própria pátria catalã (…), e o MillenniumBCP, igualmente sem pátria, prosseguem a mesma gestão à custa dos direitos e da dignidade dos trabalhadores portugueses.

É Preciso Agir em Defesa dos Direitos e da Dignidade dos Trabalhadores

Apesar das condições oferecidas aos bancos sugerirem um aumento da sua pujança, o que se tem verificado é que todos têm vivido momentos de crise profunda e até de falência.

A supervisão do Banco de Portugal e a gestão da CGD, resultantes de nomeações feitas sempre por arranjinhos indecorosos entre o PS/PSD e CDS e os banqueiros, foram responsáveis pelo branqueamento de enormes erros e crimes de gestão em Portugal.

A supervisão agora transferida, com a União Bancária, para o BCE continua claramente ao serviço dos grandes banqueiros (curiosamente o terceiro pilar da União Bancária – a criação do chamado Fundo de Garantia de Depósitos, que serviu a alguns para justificar a perda de soberania da supervisão e da regulação – foi já suspenso este mês de Outubro…).

As desigualdades no país e nas empresas não param de crescer. Os bancos regressaram aos lucros chorudos. Mas a repartição dos rendimentos é cada vez mais desigual e injusta. Segundo dados já publicados, só durante os primeiros seis meses de 2017, os administradores dos principais bancos, levaram para casa 14,8 milhões de euros, mais 8,4% do que nos primeiros seis meses de 2016.

Os trabalhadores bancários têm de lutar para defender os seus direitos e a sua dignidade.

É preciso lutar:

  • pelo aumento geral dos salários e por uma mais justa distribuição da riqueza;
  • por uma contratação colectiva efectiva e ao serviço dos trabalhadores;
  • pelo emprego com direitos, contra a precariedade, contra o assédio e contra todo o tipo de discriminações;
  • pela regulação e cumprimento do horário de trabalho e pelo pagamento do trabalho suplementar;
  • É preciso lutar para valorizar o trabalho e os trabalhadores.

 Junta-te ao SinTAF, e LUTA pelos DIREITOS

e pela DIGNIDADE no SECTOR FINANCEIRO.

Lisboa, 18 nov – Marquês Pombal – 15h

TODOS À MANIFESTAÇÃO NACIONAL DA CGTP-IN